Tomie Ohtake (Quioto, Japão, 1913). Vive e trabalha em São Paulo.
Um antagônico silêncio rítmico permeia as obras de Tomie Ohtake desde a década de 1960, quando a artista se firma na arte abstrata. Poucos elementos habitam as planícies de suas pinturas e gravuras sintéticas, antagônicas também na metódica fluidez das formas sinuosas e sensuais que remetem à tradição japonesa e à busca comovente pelo essencial, onde com pouco, traços simples e algumas cores, muito transparece. A pesquisa constante de cor, textura, forma e transparência se revela ao longo de décadas em todas as suas fases. Da tinta rarefeita à mais avantajada, da paleta sóbria aos contrapontos de cores saturadas e transparências; a influência do abstracionismo suprematista, do reducionista, da abstração caligráfica, do anamórfico; as várias facetas não negam sua origem e contam a história de produções atemporais e sensíveis, ultrafemininas e fluidas. Suas esculturas levam ao campo tridimensional as mesmas questões que confronta em duas dimensões. As esculturas com tubos delgados e as obras públicas surgem como manifestos de desenhos livres com estrutura, caligrafias táteis, traços de dança visíveis no espaço, criaturas novas para um mundo em constante mutação. A comunicação do indecifrável na obra de Tomie Ohtake é onde reside sua contemporaneidade, onde o essencial e o vital transgridem barreiras de tempo, cultura ou língua e estabelecem uma linguagem universal.