Marcos Chaves (Rio de Janeiro, RJ, 1961). Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Apesar de ter iniciado a carreira na primeira metade dos anos 1980, num período, portanto, de grande auge da pintura e, de maneira mais geral, do trabalho de ateliê, o olhar irônico e agudo de Marcos Chaves levou-o desde o início à criação de um conjunto de obras que, mesmo mantendo uma inegável coerência, permanece profundamente aberto. É frequente a apropriação de pequenos elementos ou cenas da vida cotidiana, através de fotografias e vídeos que reproduzem de maneira direta, ou no máximo com pequenas intervenções, o extraordinário que o artista reconhece e nos faz reconhecer no ordinário do dia a dia, como nas séries Buracos (1996-2008) e Retratos (2009). Por outro lado, na criação de pequenos objetos ou de instalações de grandes dimensões, a obra de Marcos Chaves revela vínculos com a grande tradição da poesia visual, seja na inserção de frases (como na célebre Eu só vendo a vista, sobreposta pelo artista ao panorama do Rio de Janeiro), ou na escolha de títulos sutilmente ambíguos e divertidos, que levam o observador a uma reflexão descontraída, mas não por isso superficial, sobre o significado da obra (Não falo duas vezes, 1995; Paz entre aspas, 2005).
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