Julio le Parc (Mendoza, Argentina, 1928). Vive e trabalha na França.
Pioneiro da arte cinética, Julio le Parc foi um dos fundadores, em 1960, do Groupe de Recherche d’Art Visuel (1960-68), coletivo de artistas ótico-cinéticos que se propunha a estimular a participação dos observadores, amplificando a sua capacidade de percepção e ação. Coerentemente com essas premissas, e de maneira mais geral com a aspiração, bastante difusa na época, a uma arte desmaterializada ou de qualquer modo indiferente às exigências do mercado, o grupo apresentava-se em lugares alternativos e até na rua. As obras e instalações de Julio le Parc formadas apenas por jogos de luz e sombras são, evidentemente, filhas desse contexto, em que a produção de uma arte efêmera e invendável tinha uma clara conotação sociopolítica. É preciso, contudo, ressaltar que a obra do artista argentino não se encerra numa produção “intangível”, sendo caracterizada também por uma longa reflexão sobre os limites da pintura, explorados tanto através de uma produção relativamente convencional (quase sempre realizada com tinta acrílica sobre tela) quanto através da criação de “quadros” cinéticos, em que o movimento de um ou mais elementos submete a composição a uma constante e vivificadora transformação.