Antonio Manuel (Avelãs de Caminha, Portugal, 1947). Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Antonio Manuel é um dos principais nomes ligados à arte de tom político e ao experimentalismo correntes no Brasil entre o final dos anos 1960 e a década seguinte. Uma de suas obras mais importantes foi a performance O corpo é a obra, na qual ele aparece completamente nu na abertura do Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1970. Como Mário Pedrosa definiu celebremente, Manuel fez um “exercício experimental da liberdade”.

Dois anos antes, o artista criara outros trabalhos-chave da arte política brasileira, como Urnas quentes e Repressão outra vez – eis o saldo. Em 1983, na ação Vaga-lume, foi deixada uma Urna quente (que nunca teria o conteúdo revelado) no morro carioca da Catacumba, de onde fora removida uma favela.

Nos anos 1990, sua instalação Fantasma, exibida inicialmente na Galeria de Arte Ibeu, no Rio, em 1994, e posteriormente apresentada na 24a Bienal de São Paulo, em 1998, continuava a transitar pelo binômio revelar/esconder. A peça tinha dezenas de pedaços de carvão pendurados em uma sala expositiva, junto da fotografia de uma testemunha de um crime que não poderia mais expor sua identidade. Lanternas iluminavam a imagem.

Manuel também expôs a instalação Sucessão de fatos na Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, em 2003, e participou da 29a Bienal de São Paulo, a partir de setembro de 2010. Há obras do artista em acervos importantes do país, como o MAM-RJ, o MAM-SP e o MAC-USP.
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