Antonio Dias (Campina Grande, Paraíba. 1944). Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
O paraibano Antonio Dias começa o seu envolvimento com o universo artístico logo ao se radicar no Rio, no fim da década de 1950, quando tem aulas de gravura com Oswaldo Goeldi (1895-1961). A multiplicidade de linguagens, suportes e abordagens é a tônica da obra de Dias, que, dos anos 1960 até hoje, fez trabalhos nas mais diferentes formas: vídeo, fotografia, escultura, instalação, objeto, HQs, obra sonora, livro de artista e filme super-8, entre outros.
A “espiral” defendida pelo crítico Paulo Herkenhoff na leitura da obra de Dias é bastante evidente. Para Herkenhoff, o artista “é o nexo principal entre os neoconcretos e os artistas dos anos 1970: entre Hélio Oiticica e Cildo Meireles, Lygia Clark e Tunga, os não objetos e Waltercio Caldas, não se distanciando de Ivens Machado e Iole de Freitas, ou mesmo dos que atuavam nos anos 1960 ao lado de Cildo, como Barrio, Raimundo Colares e Antonio Manuel. Dias tempera a presença da palavra entre a arte conceitual e a tradição da poesia concreta”.
Em 1966, Dias cria trabalhos de cunho conceitual, como a série The illustration of art. Depois, realiza peças que se apresentam como autorretratos, como The art of transference (1972) e A fly in my movie (1974-76). A participação do público em sua obra é requerida, como na instalação Faça você mesmo: território liberdade, de 1968 (presente na 29a Bienal de São Paulo, a partir de setembro de 2010), obra onde se pode entrar e partilhar dessa nova espacialidade. A partir de 1977, quando viaja para Índia e Nepal, Dias faz numerosos trabalhos com papel artesanal e folhas de ouro.