Atraque
2012
Luisa Duarte, Agnaldo Farias, Camila Belchior, Antonio Farinaci, Marcos Moraes

E então Rodolpho nos traz o rosa. Não sua versão floral, abrandada pelo branco, propiciadora de uma luz delicada, própria para o repouso das retinas e os papéis de embrulho dos presentes dos dias dos namorados, evocadora de uma infância posta em conserva, quando ignorávamos o mundo lá fora e vivíamos exclusivamente para nós. Rodolpho nos traz o rosa pink, o rosa choque, cheguei, brega e berrante. Chamado tecnicamente de magenta, Rodolpho faz um show calcado nessa cor estigmatizada por alguns dos pintores modernos, nomeadamente os que defendiam o uso das cores provenientes da natureza ou a pureza das cores primárias, como definiu o grande holandês Mondrian em anos bem recuados. Aqui no Brasil, somente lá pelos anos 1950 passaram a aceitar as cores industriais. Ainda assim, com reservas. Afinal, como asseveravam nossos artistas concretos, a cor não devia emocionar, ultrapassar o âmbito dos olhos e falar aos nossos sentimentos e, menos ainda, às nossas vísceras. Essa formulação pegou tanto que ainda hoje repercute naqueles que acham que a arte não deve ceder ao feerismo da vida contemporânea,

Como a maioria de nós, Rodolpho Parigi gosta tanto de Bach quanto do baião; é afeito às noticias que nos chegam das passarelas de Paris, Nova Iorque e Milão como também aos produtos das rendeiras nordestinas; gosta dos pratos de descrições rebuscadas que frequentam os menus dos restaurantes empoados ao "camarão ensopadinho com chuchu", o mesmo amorosamente confessado pela nossa Carmem Miranda. Mas Rodolpho é um virtuoso e, depois dos seis meses passados em Paris.

Atraque, título e imperativo que comanda essa exposição, indica sem rebuços essa direção recente tomada pelo artista.

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