Karin Lambrecht
09.12.2008
Na exposição Lugares Desdobrados estão reunidas obras de três expoentes da arte contemporânea, sob curadoria de Mônica Zielinsky: Elaine Tedesco,
Karin Lambrecht e Lucia Koch. "As três artistas levantam dados novos para o público e apresentam a atualidade de concepções em arte", antecipa a curadora. As obras extrapolam o espaço expositivo do quarto andar: janelas, clarabóias, corredores e a área externa da sede da FIC também receberão intervenções.
A proposta de trabalho de
Karin Lambrecht partiu de uma viagem de cinco dias por Israel, onde visitou dois abatedouros de carne ovina, que produzem carne kosher seguindo a tradição judaica mantida há mais de 2000 anos, em uma integração entre a cultura, a religião e o olhar científico de médicos veterinários. O resultado desta imersão na cultura do país – devidamente documentada por desenhos e por fotografias de Yael Engelhart – é a obra Pai, que remonta as origens da Genealogia de Jesus Cristo. Em uma estrutura de 10 metros de comprimento, 77 lâminas de acrílico emolduram 77 pequenas cruzes banhadas na lavagem do sangue de carneiros abatidos em solo israelense, acompanhadas de caligrafias que replicam as 77 gerações da genealogia de Jesus Cristo, segundo o evangelho de São Lucas. No verso de cada lâmina, há trechos do caderno de viagem da artista, com anotações, desenhos e pinturas.
A intervenção proposta por Lucia Koch segue seus estudos sobre a luz, utilizando-a como matéria prima e meio de interferência no modo como o público percebe e interage com um determinado ambiente. Nesta exposição, a artista dá continuidade ao projeto Correções de Luz, com o qual vem trabalhando nos últimos anos, e explora a arquitetura projetada por Álvaro Siza. A partir da instalação de filtros coloridos, posicionados em ponto estratégicos do prédio – janelas das rampas internas e externas e clarabóias –, a artista transforma a iluminação natural que entra no prédio.
Elaine Tedesco também propõe um desdobramento do espaço, a partir de instalações que trabalham as possibilidades de observação. Depois de uma visita a um observatório de pássaros no Uruguai, recriou o espaço em uma das salas expositivas, utilizando madeira de reflorestamento. A estrutura possui mais de três metros de largura e três de comprimento, e cria um diálogo direto com os filtros coloridos instalados por Lucia nas clarabóias do espaço. As intervenções de Elaine também se estendem pelas paredes, que receberão projeções de paisagens fotografadas por ela em 2000 e 2002. Além disso, todas as quintas-feiras, às 20h30, uma série de imagens de ruínas serão projetadas em grande escala nas pedras da área verde que envolve a Fundação.
Fundação Iberê Camargo
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Terça a sexta, 10-19h; quintas, até 21h; sábados, domingos e feriados, 11-19h
Exposição de 9 de dezembro a 8 de março de 2009