Cristiano Mascaro
22.01.2009
Convidado pela Cinemateca Brasileira a selecionar sete filmes sobre a cidade, o fotógrafo Cristiano Mascaro, 64, diz que ficou um tempo "matutando" para chegar à seleção. "A gente costuma reclamar dos curadores, mas agora me vi no papel de um e noto a importância do trabalho", afirma.
O resultado "desse exercício muito gostoso de revelar o meu gosto" pode ser conferido na Carta Branca da segunda edição da mostra Cinemateca SP, realizada para comemorar o aniversário da cidade. Mascaro falará ao público hoje, às 20h, antes da abertura, que exibirá "O Profeta da Fome" (1970), de Maurice Capovilla.
Não se trata de escolha meramente técnica: o curador fez uma ponta no filme, na sequência em que o faquir Ali Khan (interpretado por José Mojica Marins, o Zé do Caixão) se apresenta, em sua cama de pregos, na avenida São João. Mascaro, que fotografava a cena para a revista "Veja", foi incorporado a ela como figurante.
"Depois, passei dois anos fora do Brasil e perdi o lançamento. Nunca vi o filme. Outro dia, a Tata Amaral e sua filha, Caru, me entrevistaram para um documentário sobre São Paulo e queriam imagens minhas. Disse para procurarem em "O Profeta da Fome". A produção foi atrás e lá estou eu, com um pulôver vermelho que tenho até hoje."
Os sete longas selecionados por Mascaro terão como complemento dez curtas-metragens do também fotógrafo Benedito Junqueira Duarte, ou apenas B. J. Duarte (1910-1995), restaurados pela Cinemateca Brasileira em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura.
O projeto de retificação do rio Tietê, os parques infantis da cidade e a Escola Paulista de Medicina são temas dos curtas, realizados entre 1940 e 1963, e que serão exibidos em conjunto no próximo domingo, às 18h.
veja a programação:
www.cinemateca.com.br
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