os invisíveis

Textos críticos:

ana linnemann
Ana Linnemann - 2008
Susan Cross - 2007
Os invisíveis
Ana Linnemann - 2008

Na Galeria Nara Roesler, alguns objetos, escolhidos a partir de sua capacidade de se mesclar ao ambiente, serão motorizados e submetidos a performances discretas. Ao invés de receberem o foco normalmente dispensado aos trabalhos de arte, esses objetos inquietos existem para serem percebidos com o canto do olho, perturbado, talvez, por seu movimento inusitado. Nem todos os notam, mas uma vez percebidos, a inesperabilidade de sua performance apontaria um universo estruturado por uma lógica fora do lugar, envolvendo o espectador em uma indagação, não apenas sobre normas de percepção, mas também sobre a aparente estabilidade das ordens vigentes.

A peça a ser mostrada na Galeria Nara Roesler faz parte de um projeto mais amplo chamado Os Invisíveis. Objetos, tão comuns que se tornam imperceptíveis, executam pequenas ações em curtos intervalos de tempo — numa fruteira, um limão dá um pequeno pulo; uma garrafa de Coca-Cola desliza para a esquerda e de volta para a direita sobre uma prateleira na parede; numa mesa de canto, um vaso de orquídeas descreve um giro rápido. As performances desempenhadas por esses objetos são tão rápidas e fugazes que, num primeiro momento, se fazem duvidar. Mas uma vez percebidas, colocam o expectador em estado de alerta, intensificando o espaço ao seu redor, como um caçador à espreita da presa pressentida, mas não exatamente detectada.

Peças dessa série foram mostradas recentemente no Museu Imperial de Petrópolis (2007, O Museu como Lugar), Rio de Janeiro; Oslo Kunstforening (2008, Multiple Choices), Oslo e The Long Island University (2005, Six Outdoor Projects), Nova York. Os trabalhos a serem exibidos na Galeria Nara Roesler são inéditos e sua descrição não corresponde à das peças acima.

Veja o vídeo da exposição em Oslo Kunstforening (2008, Multiple Choices): www.patkilgore.com



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