Stockage

Luzia Simons, artista brasileira radicada em Berlim, realiza a sua primeira individual em São Paulo, reunindo 15 obras na Galeria Nara Roesler. São escanografias montadas em metacrilato, um vídeo, uma intervenção e duas instalações.


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Na série denominada Stockage, já apresentada em outros formatos em galerias da Alemanha, França e Turquia, Luzia usa uma moderna tecnologia de escaneamento para produzir imagens de flores. A artista busca eternizar a efemeridade da beleza de uma tulipa através de imagens com perspectiva em profundidade, transpondo as flores do vaso diretamente para o scanner. Dessa forma, suas imagens não apenas incluem a forma ideal de florescimento de beleza, mas também defeitos, falhas e o início da decadência irreversível.

Ao reconhecer que a beleza precisa ser eternizada, a artista transparece que o anseio pela felicidade fica fadado apenas ao próprio anseio. Como descreve Christoph
Tannert, que assina o texto da exposição, “Flores não podem florir em beleza eterna. A beleza eternizada, que Luzia Simons busca implantar em suas imagens, contra o tempo que passa, é um relato da atração que exerce a efemeridade da vida, assim como da delicadeza e da eufonia que florescem a partir do nada e que ao nada retornam. A memória torna-se uma categoria que move a arte. Ela explicitamente torna-se sujet”.

Mesmo para a fotografia contemporânea, as flores são o símbolo perfeito da beleza de caráter perecível e a artista explora, em larga escala, elementos de luz e sombras, dialogando com a redescoberta e revalorização do barroco. “Se Barnett Newman vê o impulso da arte moderna no desejo de destruir a beleza, então Luzia Simons pertence a uma facção de artistas que não segue o ductus da negação radical. Reconhecimento e ampliação da percepção são vistos por ela num renouveau (no sentido usado por Jean Clair), no renascimento de categorias estéticas que o vanguardismo combatia”, descreve Tannert.

Luzia Simons (1953, Quixadá, Brasil) estudou história e artes visuais na França e vive e trabalha em Berlim, desde 1986. Representada pelas galerias Nara Roesler, em São Paulo, Fabian et Claude Walter, em Zurique e Brutto Gusto, em Berlim, a artista expõe com regularidade. Seus trabalhos são parte de prestigiadas coleções, tais como a Graphische Sammlung der Staatsgalerie Stuttgart, Alemanha; Kupferstich-Kabinett der Staatl. Kunstsammlungen Dresden, Alemanha; Fonds National d Art Contemporain, Paris, França; Fonds Régional d Art Contemporain, Basse-Normandie, França; Graphothek der Stadtbücherei Stuttgart, Alemanha; Casa de las Américas, Havanna, Cuba; Coleção Joaquim Paiva, Brasília, Brasil; Pirelli/ Museu de Arte de São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna São Paulo, Brasil, entre outras.

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