A Galeria Nara Roesler realiza a individual de Sérgio Sister (São Paulo, SP, 1948), com trabalhos inéditos, realizados em 2008. São cerca de dez pinturas, óleo sobre tela, e uma obra, desdobramento da série Pontaletes apresentada em sua exposição no Instituto Tomie Ohtake, em 2007.
Ocupa a sala central do andar térreo um novo Pontalete em grandes dimensões, 8 metros de comprimento por 2,50 metros de altura. São ripas pintadas e escoradas umas às outras, que formam uma composição geométrica, encostada na parede. De perto se percebe a variação de cores como se a pintura estivesse escoado de dentro do quadro para estas bordas. Assim como Agnaldo Farias na exposição no Instituto Tomie Ohtake remete essas obras ao Objeto Ativo de Willys de Castro e aos Sarrafos de Mira Schendel, nesta exposição Paulo Venancio Filho acrescenta que este diálogo procura ir ainda além, “desapegando-se da dimensionalidade física da intimidade, fazendo frente às estruturas de lâmpadas fluorescentes de Dan Flavin”.
Nas cerca de dez novas pinturas de Sérgio Sister, a intimidade que costuma habitar suas superfícies se depara com novos espaços. “Esse é sem dúvida um desafio ainda presente e que se apresenta nessas telas; o salto para um outro patamar de sociabilidade, onde a intimidade se defronta com espaços inesperados e não familiares, e é isso, creio, que a pintura de Sister busca, dar a esse espaço da proximidade uma nova abertura possível, mais ampla e franca”, afirma Venancio.
O uso do alumínio e a tinta metálica nas pinturas, segundo o crítico carioca, traz algo que se compara ao efeito dos novos materiais da arquitetura atual, lembrando a cobertura de titânio do Guggenheim de Bilbao de Frank Gehry, e ainda vários outros projetos recentes onde a combinação de novos materiais e novas possibilidades formais voltaram a atrair a atenção para as superfícies arquitetônicas.
Venancio recomenda ainda atenção e serenidade para a contemplação dessas pinturas. “... concentração é a contrapartida que as telas de Sister exigem, porque é delas que emana, como uma luz que ilumina com a luminosidade e brilho amortecidos, e a cor se desaquece com a presença do alumínio, o que dá uma curiosa sensação visual de quente/frio, o que traduzindo em outros termos, significa a oscilação entre intimidade (quente) e sociabilidade (frio)”, completa.
Sérgio Sister participou das 9ª e 25ª edições da Bienal Internacional de São Paulo e outras inúmeras coletivas, como algumas edições do Panorama da Arte Brasileira. Entre as individuais, destacam-se: Paço Imperial (2000 e 2007), Centro Universitário Maria Antonia (2006/2007) e Instituto Tomie Ohtake (2007). Sua obra, consagrada pela crítica, pertence a acervos importantes como MAM-SP, MAM-RJ, Pinacoteca do Estado de São Paulo e coleção Gilberto Chateaubriand.