paralela
A Galeria Nara Roesler apresenta na Paralela 08 - de perto e de longe 5 artistas selecionados pelo curador Rodrigo Moura:
Brígida Baltar
Durante os anos 90 Brígida Baltar usou a própria casa em algumas ações que se tornaram importantes na sua sua trajetória tais como Abrigo e Torre. Em 1996, realizou A Horta da Casa onde fez plantações de temperos e ervas nos tijolos que retirou das paredes.
Para a Paralela 2008, Brígida refaz as plantações nos tijolos da mesma casa que morou.
Cao Guimarães
Em um quarto escuro na Espanha, um filme de Cao Guimaraes é projetado. Um pintor chega e começa cobrir a parede da projeção com tinta branca. Quando a tarefa é terminada, o pintor descama a camada de pintura ‘cinemática’, e joga na lata de lixo. Guimarães captou o breve momento em que a projeção, a imagem, e a realidade começam a se misturar.
Marcos Chaves
Em sua série Acordos (2008), Marcos Chaves também estabelece essa tensão entre natureza e cultura documentando em parques urbanos a forma como a floresta sobrepõe-se à urbanização, atravessando grades de metal, quebrando o concreto e o pavimento, saindo pelas fendas e reclamando de novo para si o território. (José Roca)
Patrícia Leite
Os trabalhos dão continuidade a pinturas feitas a partir de fotos tiradas no meu dia - dia, como um diário.
São pinturas de fotos de lugares onde vou ou frequento : o por do sol visto da janela do meu quarto, a lua cheia ao lado da árvore de natal vista da janela de um amigo, ou a piscina de um sítio .
As várias interpretações das variações de luzes no decorrer do dia continuam me interessando sobretudo a última luz do dia, antes do anoitecer ou a própria noite. (Patrícia Leite)
Marcelo Silveira
No Nordeste, o brasileiro vive o estado crônico de uma latente esquizofrenia, que o divide em ser moderno e ser arcaico, próximo da realidade virtual e da miséria, do aço inoxidável e da terra.
Marcelo Silveira, artista de Pernambuco, parece estar sempre atento à condição dessa ambigüidade. Seu trabalho é uma constante reflexão sobre os limites entre o refinamento intelectual da obra de arte e os vínculos ancestrais que o prendem a sua própria sociedade, de bases ainda primordialmente tradicionais.
Na linhagem dos modernos que se mantiveram à margem dos eflúvios técnicos e industriais – como Brancusi, Miró, Henry Moore, o artista volta-se para as práticas artesanais, sem contudo aspirar, com esse retorno à manualidade, a uma certa inocência perdida. Sua referência não é mais a imagem do “bom selvagem” rousseauniano, radical em Gauguin, por exemplo, mas a realidade social do camponês e dos nossos Sem Terra. Existe portanto, atrelada a sua prática artística, mas sem que isso signifique – e é bom dizer – perda de qualidade poética, uma certa alusão política imediata.”
“Suas esculturas-casas agora apresentadas, foram literalmente construídas pelos artesãos que conheceu, mas inabitáveis e absurdas como as tendas dos Sem Terra que encontrou. Talvez Marcelo Silveira pretendesse, no âmbito simbólico da arte e na sua condição de pura metáfora, preencher o vazio dessa morada com a plenitude da significação poética. (Lygia Canogia: “Correcaminhos”, 2003)
// Paralela 08 // de perto e de longe
Abertura: Domingo, 26 de outubro de 2008 14-18h
28/10 - 07/12/2008 - Terça a sexta 12-18h / Sábado e domingo 10-18h
Local: Liceu de Artes e Ofícios
Rua João Teodoro, 565, Luz - São Paulo