Nova Brasiliensis

Alberto Baraya (1968, Bogotá, Colômbia), que já integrou a Bienal Internacional de São Paulo (2006) e a Bienal de Veneza (2009), realiza a sua primeira individual no Brasil, reunindo 20 obras na Galeria Nara Roesler. A recente série Nova Brasiliensis é o mais novo desdobramento de seu projeto Herbário de plantas artificiales, iniciado em 2002, no qual o artista investiga as relações do viajante diante dos diferentes territórios.



Neste conjunto inédito, Baraya introduz seu “estudo” sobre as orquídeas brasileiras. Em sua “prancha botânica”, além de plantas artificiais de plástico feitas na China, há fotos e desenhos que registram o processo de cada obra, desenvolvido também por investigações em áreas naturais. A exposição traz ainda um dos trabalhos apresentados na Bienal de São Paulo, sobre os seringais, e peças de sua série anterior, produzida com flores de murano.

Em seu projeto Herbário de plantas artificiales, o artista decidiu adotar o papel de um naturalista botânico, parodiando seu saber e se apropriando de seus métodos, como explica o curador José Roca. “Iniciou a sua coleção de botânica artificial no Marrocos e dessa primeira expedição resultou uma série de plantas e a constatação do grau universal de penetração dessa particular natureza não natural”, comenta o curador.
O seguinte passo foi ampliar a base de coletores, espalhar a função para abranger mais territórios. Baraya imprimiu folhetos em que fornecia um endereço de correio, convidando a quem estivesse interessado a lhe enviar plantas artificiais para seu Herbário. Muitas dessas plantas foram também retiradas de restaurantes, salas e casas de conhecidos fazendo uma analogia ao ato de “colecionar” praticado pelos colonizadores.
Segundo Roca, o projeto Herbário de Plantas Artificiais teve desdobramentos que vão desde o temático até o formal, com o objetivo de analisar criticamente a figura do naturalista botânico e ao mesmo tempo escapar de sua rede. “Por último, o projeto de Baraya não é sobre a botânica: é, antes de mais nada, uma reflexão sobre o poder, o intento de controlar o mundo através do ato de nomeá-lo e classificá-lo”, completa.

No Brasil, o colombiano que vive e trabalha em Bogotá já participou de importantes coletivas, conforme já foi mencionado, da 27ª Bienal Internacional de São Paulo, quando, a partir de uma residência no Acre, criou gravuras e esculturas explorando o universo dos seringais. Já na Galeria Nara Roesler, Alberto Baraya fez parte da mostra Otras Floras, em 2009. No exterior, além de integrar o Pavilhão Latino-americano da última edição da Bienal de Veneza, participou da Bienal de Valência (2007) e de mostras na Inglaterra, Espanha, Estados Unidos, França, México, Holanda e Cuba.
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