leveza e aspereza da linha

O curador Agnaldo Farias reuniu a obra em desenho de 19 artistas da galeria Nara Roesler nesta exposição que convida o espectador a pensar o traço ancestral na cena contemporânea. Citando a reflexão de Giorgio Vasari, no livro “As vidas dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos”, editado em Florença, em 1550, o curador compartilha a idéia de que “a pintura e a escultura são na realidade irmãs, nascidas de um mesmo pai, o desenho”.

A exposição apresenta as variadas e inesgotáveis possibilidades do suporte por meio de aproximadamente 70 trabalhos de 19 artistas: Abraham Palatnik; Ana Linnemann; Antonio Manuel; Artur Lescher; Brígida Baltar; Ernesto Ballesteros; Gil Vicente; Jasper Krabbé; Karin Lambrecht; Laura Vinci; Manoel Veiga; Marcelo Silveira; Marco Maggi e Ken Solomon; Marina de Caro; Rodolpho Parigi; Sergio Sister; Shirley Paes Leme; Susan Turcot; e Xawery Wolski.

Segundo Farias, o horizonte do desenho, hoje como sempre, ainda varia entre a tentativa de retenção do visível, tentativa feita através da captura de indícios ou por meio de representações, neste caso, com a consciência de que a representação de algo não se reduz a ele. Para o crítico, neste horizonte está também o desejo de se expelir uma idéia ou imagem, materializar um projeto fazendo-o com que ele supere sua condição de sonho.

“O desvencilhamento do compromisso do desenho com a representação do visível leva-o a autonomia de seus elementos constitutivos, como a linha, o ponto, as texturas, etc, como também a sua afirmação como prática fundadora de visibilidade, de capacidade de conquista daquele que o realiza, posto que aquilo que recebe o impacto do instrumento que empunho transforma-se numa extensão de mim”, afirma o curador.

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