jasper krabbé

As imagens em meu trabalho podem ser vistas como remanescências de um processo de recordação.

Ao pintar camadas de aquarela muito finas sobre uma base seca, tento transmitir ao espectador um sentido de perda. Os fundos são deliberadamente instáveis, uma gota d’água poderia dissolver a imagem ou uma rajada de vento poderia varrer a imagem para fora da tela; e com isso um sentimento de impermanência é instaurado, que eu acho primoroso.

No ato de recordar há uma certa melancolia em relação aos tempos perdidos e isso também é inserido no trabalho.

Para mim, o formato pequeno utilizado nesta série sugere intimidade, mas apresenta um lado prático também, pois produzo a maior parte das imagens enquanto viajo e gosto de registrar fragmentos do meu entorno imediatamente.

Ao desenvolver os trabalhos para esta exposição, eu tinha em mente as gravuras Ukiyo-e japonesas (Ukiyo-e foi um estilo de arte popular no Japão durante o período Edo e que normalmente representava cenas do cotidiano. “Ukiyo” significa mundo flutuante, um irônico trocadilho com o termo budista que designa o plano terreno ou “mundo doloroso”).

No que me diz respeito, o termo “mundo flutuante” é muito apropriado, pois nada é estável e tudo permanece em estado de fluxo constante. Assim são as minhas imagens. Algumas derivam de sonhos, outras brotam da memória de pessoas que conheci, viagens que fiz, lugares que vi.

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