hipo real

O consagrado artista uruguaio, que vive em Nova York, Marco Maggi (Montevidéu, 1957) realiza individual na Galeria Nara Roesler, apresentando, a instalação inédita Hipo Real, desdobramento da série The Turner Collection, desenvolvida desde de 2005. Nos trabalhos desta série, Maggi, que no Brasil já participou da 25ª Bienal Internacional de São Paulo e da 3ª e 4ª edições da Bienal do Mercosul, mais uma vez evidencia o embate da excessiva velocidade presente na sociedade contemporânea diante da temporalidade humana.


Parte 1



Parte 2



“Desacelerar, demanda-nos Maggi. O jogo que ele nos propõe é repleto de grandes ocultamentos e estratégicas revelações. É preciso olhar com tempo”, escreve o crítico Adriano Pedrosa sobre a exposição. Ele nos faz relembrar o quanto subjetiva é a experiência de olhar e interpretar, esclarece uma das inúmeras matérias internacionais sobre sua obra. Segundo Pedrosa, a desaceleração é antimoderna, antiprogressista, anticapitalista, antiurbana e antiglobalização. “Como um Fausto contemporâneo, o artista parece nos dizer: ‘Pára, instante que passa’”.

Seus deslumbrantes desenhos precisos e delicados que, segundo Maggi, têm o papel como propósito e o tempo e o foco como meios prediletos, são realizados com os mais prosaicos materiais: incisões sobre pilhas de papel ou sobre o acrílico, grafite sobre o papel ou sobre passe partout da própria moldura, a ponta seca sobre alumínio enquadrada em molduras de slides, entre outros.

A instalação Hipo Real é composta de 15 caixas de acrílico espalhadas pelo chão e oito painéis de papel distribuídos pelas paredes nos quais Maggi se apropria de reproduções de obras de artistas como Warhol, Klein, Fontana, Richter e ainda de nomes importantes da cena latino-americana, como Jesus Soto, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Mira Schendel e Lygia Pape.

“Hipo Real é o oposto do exagero, do hiper-realismo, é uma segunda realidade subjacente, uma superfície imperceptível para ler sem esperança de ser informado”, afirma Maggi. Segundo Adriano Pedrosa, ele vira a imagem de costa para o espectador adiciona pilhas de papéis a ela e então realiza cortes na superfície, “criando pequenos relevos em papel, revelando, aqui e ali, filamentos e fragmentos das obras-primas ocultas”.
Completam a exposição mais seis desenhos, nos quais a referência à velocidade é mais sublinhada em Slow Foil (Papel Alumínio Vagaroso), Slow Shadow (Sombra Vagarosa) e Sliding (Deslizando, que no original em inglês remete ao objeto slide, cuja moldura é utilizada na obra), além de uma instalação com embalagens de papel alumínio.

O vídeo Micro & Soft on Macintosh Apple, apresentado na Galeria Nara Roesler por ocasião da mostra Leveza e Aspereza da Linha, com curadoria de Agnaldo Farias, no início de 2008, está em cartaz permanente no MoMA, em New York. A obra do artista vem sendo exibida amplamente nos Estados Unidos, Europa e América Latina, desde 1998. Entre as recentes exposições estão: Poetics of the Handmade, Museum of Contemporary Art, Los Angeles, CA, EUA (2007); Doubtful Strait, TEOR/éTica Foundation, San José and Alajuela, Costa Rica (2006); Gyroscope, Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington DC, EUA (2006); Drawing from the Modern 1975-2005, Museum of Modern Art, New York ( 2005), The Fifth Gwangju Biennial, Korea (2004); The San Juan Triennial, Puerto Rico (2004); VIII Bienal de Havana , Cuba (2003), além da 25ª Bienal de São Paulo (2002). Os trabalhos de Maggi pertencem a importantes coleções públicas e privadas como: MoMA, New York; Whitney Museum of American Art, New York; The Daros Collection, Zurich, Suíça; Patricia Phelps De Cisneros Collection, New York; Kemper Museum of Contemporary Art, Kansas City; Museum of Contemporary Art, Los Angeles; Museum of Fine Arts, Boston; Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington DC.

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