desenhos antelo

Fernando Lindote (Rio Grande do Sul, 1960, vive e trabalha em Florianópolis), que também está presente em outra individual na cidade, no Centro Universitário Maria Antonia, apresenta na Galeria Nara Roesler Desenhos Antelo, mostra itinerante que seguirá para o Rio de Janeiro e Florianópolis, reunindo trabalhos inéditos, realizados entre 2006 e 2008. A exposição consiste de sete desenhos sobre papel e seis óleos sobre tela selecionados pelo crítico Ivo Mesquita.



A série sobre papel foi desenvolvida a partir de dois desenhos realizados por Lindote após as duas folhas (A4) terem sido assinadas em branco por Raúl Antelo, escritor e crítico nascido na Argentina, professor titular de literatura na Universidade Federal de Santa Catarina, muito próximo ao artista, que recentemente recebeu bolsa Guggenheim para pesquisa sobre Marcel Duchamp. Já os demais trabalhos da série, de dimensões maiores (70 x 50 cm), foram realizados com vários materiais argila, folha de chumbo, grafite e fita branca. “A esses materiais foi agregado um quinto elemento: a assinatura de Raúl Antelo, colhida após a execução das imagens, pois sua assinatura é também matéria, uma vez que seu pensamento está presente em minha obra”, explica Lindote.

Completam a exposição seis óleos sobre tela em preto e branco, nos quais a assinatura de Antelo não aparece, mas permanecem os sistemas de imagem dos desenhos em papel, que às vezes lembram máquina e às vezes pedaços de corpo e sugerem uma circulação, guardando referências a artistas como Duchamp e Picabia (quatro telas de 100 x 100 cm e duas de 50 x 70 cm). Segundo Ivo Mesquita, os trabalhos desta exposição descrevem os processos de uma relação sentimental, onde artista e escritor se confundem, quando um assume a fala do outro, “numa espécie de simbiose amorosa perfeita, como desejavam as máquinas surrealistas”.

Para Mesquita ainda, a série Desenhos Antelo, de Fernando Lindote, abre uma nova perspectiva para o trabalho do artista. “Sua produção vem se desenvolvendo por meio de sucessivos processos de experimentação, que vão desde explorar o próprio corpo como gerador da experiência do trabalho, através dos gestos gráfico e escultórico sobre a matéria, do mastigar e do babar como extroversões do corpo, até propor enfrentamentos diretos da condição de exposição e do espaço arquitetônico. Na verdade sua obra se afirma cada vez mais como um conjunto de híbridos, constituído por desenhos mastigados, pinturas e grafismos moldados em argila, esculturas artesanais que se reproduzem e se apropriam do espaço como numa instalação, fotos que remetem a pinturas, objetos banais, acumulações. Agora, com esse grupo de desenhos, Lindote explicita, dentro do seu campo de referências, a idéia de apropriação, tomando-a como estratégia e método, utilizando-a a partir de diversos repertórios para a realização do trabalho”, explica o crítico, curador da próxima edição da Bienal Internacional de São Paulo.

A trajetória de Fernando Lindote sinaliza a sua passagem pela pintura, escultura, performance, vídeo e instalação. Bolsista da Fundação Vitae, em 2000, o artista vem realizando individuais em espaços vibrantes da arte contemporânea, como a atual mostra em cartaz no Centro Maria Antonia em São Paulo, Museu de Arte Contemporânea de Curitiba, PR (Desenho/escultura, 2004), Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, SP (Experiências com o Corpo, com curadoria de Agnaldo Farias, 2002) e Museu Victor Meirelles em Florianópolis, SC (Muito Perto, 2002). Entre as coletivas recentes destacam-se: em 2006, No Olho do Outro (Centro Cultural de Espanã, Montevideo, Uruguay); em 2005, V Bienal do Mercosul (Porto Alegre, RS), O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira (Itaú Cultural, São Paulo/SP) e Panorama da Arte Brasileira (MAM-SP).




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