contra o céu

Nesta primeira exposição de Patrícia Leite na Galeria Nara Roesler, em São Paulo, estados de luz dão a tônica às pinturas apresentadas pela artista mineira. Composta da série Arpoador e de mais 7 grandes trabalhos, a mostra revela o olhar de Patrícia diante da luz que, contra o céu, tonaliza manhãs, ocasos e noites, seja por meio de demorada contemplação, ou a partir de uma imagem fotográfica. “Temos uma paleta com poucas variações cromáticas, sem áreas de sombra. Areia, vegetação, espuma e mar estão em um só plano, não perspectivados. Nosso olhar não se alonga, mas caminha num campo onde a economia, e não o excesso, dá as cartas”, afirma a curadora Luisa Duarte.



Segundo a crítica, apesar da figuração existente, a obra da artista traz consigo uma insuspeita dose de abstração. “[nas pinturas] conseguimos identificar um mar, um trecho de areia ou uma série de lâmpadas, mas antes pelo nosso poder e tendência de figurar o que é quase abstrato do que por uma figuração já dada”. Luisa ressalta que estes elementos reais surgem antes como massas de cor e é a composição entre as cores que nos dá a ver tais elementos reconhecíveis na realidade, assim uma montanha ou um pedaço de mar são menos construídos por traços precisos, e mais pela composição de espaços cromáticos. Quando a pintura advém da imagem fotográfica, a curadora comenta que, ainda sendo figurativa, é atravessada por uma dose de abstração, trazendo uma densidade que instiga o olhar a ir decompondo abstratamente e construindo figurativamente a um só tempo.

“As pinturas de Patrícia, para mim, sempre surgiram como a evocação encarnada de um outro espaço e tempo, a possibilidade de, em meio ao caos em que vivemos diariamente, estabelecer uma pausa, uma suspensão através do negro profundo pontilhado de brancos com uma linha lilás abaixo. Essa restauração de uma espécie de esperança ou a instauração de um outro modo de estar no mundo, mesmo que breve, são aspectos que concernem à arte e que o encontro com a obra dessa artista proporciona. Demorar-se nos seus céus ou nas suas marinhas é fazer o tempo dançar, ao invés de marchar”, completa Luisa Duarte.

Patrícia Leite (Belo Horizonte, 1955) foi aluna de Amílcar de Castro e bacharelou-se em Desenho e Gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas
Gerais. Após realizar exposição individual na Galeria Macunaíma no Rio de Janeiro, em 1984, foi premiada pela Fiat em 87, pelo Salão Paulista de Arte Contemporânea em 88 e 89, entre outros salões mineiros, e tem participado de coletivas e realizado mostras individuais com regularidade. Em São Paulo, recentemente, participou da Paralela 2008.
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