Paulo Whitaker (São Paulo 1958), apresentado no segundo piso da galeria, retorna a composições mais simples, que revelam nas sete pinturas expostas o processo de construção da tela, depois de ter trabalhado com sobreposições complexas e cores claras. “A arte é uma troca de signos na qual aquilo que já me é conhecido me ajuda a ler a pintura, enquanto a própria pintura transforma-se em signo que reconhecerei no mundo”, diz Whitaker. Essa relação da arte com o universo dos signos aparece no método que o artista emprega em suas pinturas: moldes recortados em tela são aplicados a um fundo vazio. Cada molde é uma dessas formas que reaparece nas pinturas de Whitaker, formas sempre difíceis de nomear que, depois de um tempo, misteriosamente, começam a aparecer no mundo real, no caule de uma planta, num padrão de serralheria artística, em possíveis insetos nunca antes vistos. Esse processo, usando os mesmos moldes, acontece em várias telas, pintadas ao mesmo tempo. Em cada aplicação do molde o resultado é diferente, dependendo do estágio de secagem da camada inferior e das sobreposições de moldes. Na produção mais recente, o pintor limita o número de moldes a 3 ou 4 por tela, incentivando o espectador a mergulhar em seu mundo de formas misteriosas.
Nessa exposição, Paulo Whitaker também experimenta a composição em compartimentos, em telas grandes, como se guardasse em diferentes retângulos as formas que repetirá, aglomeradas, nas telas de menor dimensão. As cores não são fáceis, não querem ser sedutoras, e o preto domina. Qualquer outro tom aparece como entorno das formas escuras.