concrete blonde

A Galeria Nara Roesler tem o prazer de realizar a primeira individual de um dos mais promissores artistas jovens brasileiros, Rodolpho Parigi (São Paulo, 1977). Em 2007, recém formado pela Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo, Parigi chamou a atenção do circuito artístico com suas telas de cores explosivas. Importantes coleções no Brasil e no exterior rapidamente absorveram a série de trabalhos Limite, de 2008, sinalizando a ansiedade do sistema da arte em reencontrar a boa pintura na nova geração.

Em Concrete Blonde, Parigi apresenta trabalhos em papel, pinturas e colagens. O mito de que a pintura não existiria mais é novamente derrotado nas telas do jovem artista, que reinventa a técnica através de seu trabalho atual e acelerado. Suas obras misturam elementos do passado, como os Metaesquemas e a Op art, com o presente/futuro das cores cítricas e vibrantes: “concrete blonde”, mistura de arte concreta com extravagância.

O comentário crítico desta exposição também é de uma jovem curadora, Paula Braga. Segundo ela, as telas do artista são cheias, como se ocorressem acontecimentos simultâneos em cada centímetro quadrado de seu espaço, como se o observador estivesse sobrevoando a realidade em um veículo muito rápido. “Os olhos parecem estar pregados a um corpo em movimento acelerado”, analisa. A aceleração do tempo, tão presente na realidade atual, ganha cor e forma nas pinturas de Parigi.

Tratam-se, nas palavras da jovem crítica, de paisagens caóticas geometrizadas, como se descrevessem um lugar. Segundo o artista, de tão caótico esse lugar, chega a ser orgânico, como a cidade de São Paulo. Extremamente artificiais, as cores fazem parte de nossa paisagem cultural e tecnológica, como surgidas das paletas dos programas de computador. “Parigi espalha pelo campo todo das pinturas os amarelos, verdes e rosas dos marcadores de texto, mas não salienta nenhuma frase, omite foco e centro em composições hiperativas: o campo todo acontece, os eventos são simultâneos, chegam à superfície da tela ao mesmo tempo, como um livro em que todas as linhas estão em highlight”, diz Paula.

O século XXI compreende bem essas cores fluoretadas, as mudanças constantes, o tempo acelerado, por isso a obra de Rodolpho é tão contemporânea. “Nossos corpos estão habituados a entender drásticas mudanças de paisagem em poucas horas de voo, drásticas mudanças de forma em poucas horas de cirurgia plástica, e a decifrar simultaneamente as informações que recebemos, ao mesmo tempo, do celular, do email, do rádio, do interfone”, avalia a curadora.

A prática de trabalho de Parigi consiste em várias horas de desenhos antes de iniciar a pintura. “Esses desenhos esticam e desembaraçam os fios da pesquisa do artista”, diz Paula. A execução da pintura vem depois desse exercício, que também se completa com uso do computador como ferramenta. A tela Waves, uma das obras da mostra, é uma auto-apropriação da tela Concrete, de 2008, a primeira incursão de Parigi pelas formas geométricas. A partir de uma imagem de Concrete em um programa de computador, ele chegou, graças ao acaso, a uma reordenação de cortes verticais da imagem original. Após três meses de trabalho, a imagem digital tomou corpo em óleo sobre linho.
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