Marcelo Silveira (Gravatá, PE,1962) apresenta a série Arquitetura de Interior composta de 12 peças em madeira e vidro e 12 livros. Com estes trabalhos inéditos ele sublinha mais uma vez o ambíguo significado dos objetos. O artista questiona a intenção daquelas peças colocadas em cima de mesas, ao lado de sofás, ou mesmo nas estantes, apontando como a matéria pode conter também a expressão do vazio.
(Entrevistado por Luisa Duarte)
Esta série é composta de peças que não foram feitas para serem manipuladas. As obras em madeira encapsuladas em vidro – que confere ainda maior profilaxia estética aos objetos – foram denominadas ironicamente de Chocolate, Cuscuz, Rolha etc. O mesmo se dá com os livros, feitos com capa de couro e folhas de papel de presente que, parafusados, não podem ser abertos, existem para ser apreciados como pintura. Marcelo Silveira mais uma vez inverte a ordem das “coisas” para apontar o pensamento que atravessa a sua produção: ausência e presença. Por que para as coisas existirem elas precisam estar?, pergunta Marcelo.
“A maneira como articula matéria-prima e procedimento, representação e achado, imagem e objeto, narrativa e forma, têm sido a principal marca da obra de Silveira. Assim, desde trabalhos do início desta década, duplicar, seriar e repetir são procedimentos para o artista avançar na sua poética de, ao mesmo tempo, aproximar-se do mundo e negá-lo”, escreve o crítico Rodrigo Moura.
Marcelo Silveira é graduado em Educação Artística pela Universidade Federal de Recife
Recentemente, entre as mostra individuais destacam-se: em 2006, Galeria Nara Roesler; em 2005, Centro Cultural Maria Antônia, SP; e, em 2004, Pinacoteca Universitária da U.F.AL, Maceió-AL; Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães - MAMAM, Recife-PE; e Escola Guignard, BH-MG. Entre as coletivas estão: em 2008, Panorama da Arte Brasileira, Alcalá 31, Madri, Espanha; em 2007, 4ª Bienal de Valência, Centro del Carmen – Museo de Bellas Artes de Valencia, Espanha; e Panorama da Arte Brasileira, MAM – Museu de Arte Moderna, São Paulo, SP; em 2006, Geração da Virada 10 + 1: os anos recentes da arte brasileira, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo.