rodolpho parigi

libélulis myraxcium, 2015

lápis de cor permanente sobre papel

140 x 300 cm

Press Release

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Em sua terceira individual na Galeria Nara Roesler, Rodolpho Parigi apresenta um conjunto de cerca de 20 obras de diferentes momentos de sua produção, incluindo inéditas, sob curadoria de Bernardo Souza. Intitulada Levitação, a mostra tem abertura no dia 22 de maio (sexta-feira) trazendo trabalhos inéditos, entre os quais desenhos, pinturas, colagens e performance. A partir de 19 de junho, o artista integra a coletiva “A Mão Negativa”, no Parque Lage, onde também faz performance como Fancy Violence na abertura e no segundo semestre deste ano participa da exposição Panoramas do Sul  Vídeo Brasil.

 

Rodolpho Parigi tem entre seus focos de pesquisa o corpo e suas possíveis representações, a sexualidade e a história da arte. Com o aprofundamento nesses temas, retomou antigas abordagens em relação com seus experimentos recentes, promovendo um diálogo entre o conjunto total de seus trabalhos.

 

A expografia foi pensada como um site specific para a galeria, ao caminhar por entre as obras e seus posicionamentos, propiciam ao espectador uma experiência do universo em questão. Alguns dos trabalhos inéditos de séries consagradas de Parigi como as colagens das série Atlas (feitas a partir de um atlas terramicina de anatomia humana, com o qual o artista desenvolve um novo léxico sobre o corpo) e Bestiário (imagens de nanquim sobre papel algodão, nas quais desenhos monocromáticos anamórficos representam entranhas, numa mescla de catalogação, estudo de anatomia e pornografia).

 

Nessa "sala de asas de libélulas" – animal que traz consigo a carga semiótica da magia, da liberdade, da mudança e da transmutação – o que me interessa são as asas desse inseto, pois tem uma geometria orgânica, e isso sintetiza minha vontade com a linha e com a imagem.

 

Ao passar pelas asas chegamos à grande sala da galeria na qual encontramos as pinturas a óleo em diferentes formatos. Um grande rosto feminino, casulos de mariposas, uma mãozinha com quatro dedos, um pequeno retrato de seu alter ego Fancy, e grandes pinturas que tem o corpo e seus músculos como inspiração que o artista chama de  “Volumen“. Esses trabalhos tem uma elevação, algo que sempre está em processo de transformação, nada é fixo ou definido, está em processo de levitação.

 

No mesmo espaço, é exibida “A Grande Tela” finalizada. O artista vem trabalhando nela desde meados de julho de 2013 – a obra foi iniciada durante residência que Parigi fez no Pivô (SP) e possui figuras como O Último Tamoio (1883), extraído da tela homônima de Rodolfo Amoedo, e Moema (1866), da obra de Victor Meirelles, ambos pintores acadêmicos brasileiros do século XIX. Com intervenções também em esferográfica, "A Grande Tela" transita entre o desenho e a pintura. “Pensei em fazer uma paisagem, mas acabou como uma teia”, diz Parigi.

 

Completando o universo de Rodolpho Parigi, vem um trabalho que tem se destacado na cena artística recente: a personagem-alter-ego Fancy Violence.

 

fancy violence

Fancy Violence é a performance/persona feminina de Parigi e abre a exposição com uma aparição em que levita. Criada inicialmente como tableau vivant (quadro vivo), a personagem ganhou mobilidade e autonomia, incorporando linguagens como o teatro e o show musical ao repertório do artista.

 

Segundo Bernardo de Souza, curador da exposição,“Fancy Violence é uma anti-heroína, assassina incansável em sua missão iconoclasta, destruidora de mitos, de farsantes colecionadores e suas obras-primas... Ela aniquila a pintura, a geometria e o corpus de trabalho artístico para garantir fôlego a esse novo ser que se alimenta de resíduos pictóricos, fragmentos de história e arroubos sexuais; ao explodir a tela, deu tridimensionalidade aos monstros anteriormente plasmados no óleo”.

 

Para que se transforme em Fancy Violence, Parigi conta com a ajuda de quatro pessoas, entre maquiadores e cabeleireiros. O responsável pelos figurinos predominantemente vinho e pretos da diva dark é o estilista Gustavo Silvestre, famoso pelas tramas artesanais fabricadas a partir do crochê que chamaram a atenção de Parigi por sua semelhança com as asas da libélula.