Daniel Senise

BCT (triptico), 2016

 

Press Release

+

A pureza é um mito: o monocromático na arte contemporânea

 

A Galeria Nara Roesler | São Paulo tem o prazer de apresentar A Pureza é um Mito: O monocromático na arte contemporânea, com curadoria de Michael Asbury, na 27a edição de Roesler Hotel. O projeto Roesler Hotel foi criado pela galeria em 2002 para promover o diálogo entre as comunidades artísticas nacional e internacional, convidando curadores e artistas a realizar experimentos no espaço da galeria.

 

A Pureza é um Mito: O monocromático na arte contemporânea apresenta mais de 50 trabalhos de 43 artistas em mídias diversas, como instalação, fotografia e pintura. A exposição tem como proposta olhar o monocromo sob pontos de vista diversos, enfatizando a diversidade onde geralmente se presume haver uniformidade. O título tem origem numa frase de Hélio Oiticica no interior de uma das cabines (Penetrável PN2) do ambiente Tropicália, exposto pela primeira vez em 1967, na mostra Nova Objetividade Brasileira, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Embora inclua obras produzidas entre 1950 e os dias atuais, a exposição não pretende ser antológica, e sim sobrepor modos de prática e potenciais conceituais do monocromo.

 

A persistência do monocromo na atualidade talvez seja mais relevante para o legado da arte conceitual nas práticas contemporâneas do que a morte da pintura que o próprio pretende anunciar. No entanto, se a arte contemporânea é uma arte pós-conceitual, como muitos afirmam, as práticas recentes e atuais que empregam a monocromia também tendem a problematizar uma categorização tão estreita. Em outras palavras, o monocromo tanto desafia quanto enriquece a genealogia da arte conceitual na história da arte, já que, por sua própria natureza, evoca o conceito em detrimento da forma. A ausência de forma exige que seja assim. Se pensarmos em Malevich ao invés de Duchamp, por exemplo, reconherecemos outra fonte óbvia das práticas conceituais e, por extensão, da arte contemporânea em si.

 

Hoje em dia, os artistas fazem colidir essas genealogias, subvertendo – muitas vezes ludicamente – a tradição da pintura supostamente séria ao mesclar ready-mades e cores, intervenções cromáticas site-specific, objetos efêmeros e, até mesmo, a imaterialidade da luz. Assim, ao mesmo tempo em que ironiza a seriedade do discurso da história da arte, o monocromo produz um enunciado potente acerca das teorias atuais da arte contemporânea (ou da ausência delas). Assim como as premissas de Oiticica para a arte contemporânea, apresentadas no ensaio “Esquema Geral da Nova Objetividade” (1967), a exposição em cartaz tenta ressaltar as diferenças de procedimento e as diversas genealogias da prática que pressupõem a precedência histórica, e, por extensão, a legitimidade contemporânea que ela implica, com base em considerações puramente estéticas. Associações fáceis como essa devem ser contestadas, já que a pureza é um mito. 

 

A exposição inclui obras de: Abraham Palatnik; Alexandre Arrechea; Alexandre Canonico; Angelo Venosa; Antonio Dias; Antonio Manuel; Art & Language; Arthur Lescher; Brigita Baltar; Bruno Dunley; Cao Guimarães e Carolina Cordeiro; Carlito Carvalhosa; Daniel Senise; David Batchelor; Debora Bolsoni; Estela Sokol; Fernanda Gomes; Hélio Oiticica; José Patrício; Julio Le Parc; Keith Coventry; Laura Vinci; Lucia Koch; Lygia Pape; Marcelo Silveira; Marcia Pastore; Marcia Thompson; Marcius Galan; Marco Maggi; Marcos Chaves; Maria Laet; Matheus Rocha Pitta; Melanie Smith;  Milton Machado; Moisés Patrício; Paulo Bruscky; Raul Mourão; Ronald Duarte; Sergio Sister; Tomie Ohtake; and Yoko Ono.

 

Michael Asbury e um critico de arte e curador baseado em londres. Ele é Professor de História e Teoria da Arte na Chelsea College of Arts, University of the Arts London (UAL) e membro fundador do centro de pesquisa Transnational Art, Identity and Nation (TrAIN). Durante os ultimos 20 anos ele tem exercido pesquisa sobre a arte moderna e contemporânea brasileira. Suas curadorias incluem exposições sobre: Alfredo Volpi, Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Cao Guimaraes, Cildo Meireles, Ibere Camargo, Jose Oiticica Filho, Jose Patricio, Neoconcretismo e Rosangela Renno.