cao guimarães, lucia kock, melanie smith - porto alegre
10.09 - 15.11.2011
A 8a edição da Bienal do Mercosul – Ensaios de Geopoética tem como tema o território e sua redefinição crítica a partir de uma perspectiva artística. Reúne 105 artistas oriundos de 31 países que tratam de tópicos relevantes para essa discussão: mapeamento, colonização, fronteira, aduana, alianças transnacionais, construções geopolíticas, localidade, viajantes científicos, nação e política. Segundo José Roca, curador-geral dessa edição, “a 8a Bienal quer mostrar alternativas à noção convencional de nação, além de discutir novas cartografias, as relações entre as condições políticas e geográficas, o posicionamento entre o regional e o global, as rotas de circulação e o intercâmbio de capital simbólico, a cidadania em territórios não-urbanos, o status político de nações fictícias e a relação entre ciência, viagem e colonização”.
Fotografias e vídeos marcam a presença de Cao Guimarães nesta Bienal. Suas perambulações pelos pampas rio-grandenses e uruguaios fixaram a temática do homem do campo, em seus encontros e recreações. E captam, comunicando, ao mesmo tempo, a certeza da melancolia que perspira nos espaços públicos, plenos de “desolação e vazio”, em pequenas cidades semi-adormecidas da região.
A água é o tema central da participação de Lucia Koch nesta Bienal. Registros de inundações históricas que modificaram o centro de Porto Alegre, como a de 1941, e a sonoridade melodiosa que acompanha as águas a animar a paisagem urbana de cidades do interior nas fontes luminosas, provocando o encantamento das crianças e sendo acompanhada da precariedade engenhosa de seu funcionamento – que, neste momento, nos revela como quem desvenda um segredo até agora oculto. Mas a artista vai além, ao conceber um jogo de águas animando a cobertura do Museu, em conciliação entre o lúdico de sua movimentação e a contemplação do céu versus a arquitetura dura da grande cidade.
Melanie Smith apresenta Estadio Azteca 2010, proeza maleable [Estádio Asteca 2010, proeza maleável]. A obra é uma monumental encenação inspirada nos mosaicos humanos realizados em cerimônias de caráter oficial, que aqui se torna uma crítica à modernidade a partir de vários ângulos: milhares de estudantes formam imagens paradigmáticas da arte do século XX, que se combinam com outras pertencentes ao imaginário histórico e cultural do México.
8a Bienal do Mercosul – Ensaios de Geopoética
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
Data: de 10 de setembro a 15 de novembro de 2011
Cerimônia oficial de abertura: 09 de setembro de 2011
Dias de funcionamento: todos os dias da semana Entrada Franca