Miguel Ángel Tornero (Baeza, Jaén, 1978). Vive e trabalha em Madrid.
A originalidade das fotografias de Miguel Angel Tornero não consiste no fato de cada uma delas ser um mosaico de fotografias: construções feitas a partir do banco de imagens do artista, composto por fotografias pelas revistas, anúncios publicitários tão triviais quanto uma propaganda de máquina de lavar roupa ou uma nova escova de dentes, além, é claro, daquelas que ele mesmo realiza com modelos, em ambientes internos e paisagens. A questão é que cada uma de suas fotos parece pertencer a uma cena maior, distendida no tempo. E como a fotografia, por definição, consagra o instante, diante das fotos apresentadas por Tornero nunca sabemos o que aconteceu ou o quê está para acontecer. Acontece o que se pode chamar de um vaivém entre passado e presente. Daí a sensação de presenciarmos enigmas, de estarmos diante de cenas sutilmente misteriosas.
O fato delas serem em grande formato e trazerem cenas familiares faz com que o público sinta-se envolvido, incorpore-se à situação como se fosse um cúmplice, sentimento que vai se alterando na medida em que percebe que há algo demasiadamente conhecido dentro daquilo – onde foi que eu já vi isto? A partir daí ele passa a duvidar daquilo que vê, ocorrendo-lhe a idéia de que talvez sua própria memória seja também a dos outros.
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